"Todo mundo sabe que as melhores bolitas são as do armazém da Dona Silvia na Rua Conde", saltam aos olhos relatos de uma criança que cresceu no Rio Grande. De lanterna na cabeça tal qual o contador de causos a beira da fogueira, Carlos Urbim revisita suas histórias em uma trajetória que completa duas décadas na literatura infantil.
Dotado de uma simplicidade digna de Manuel de Barros, o jornalista e escritor busca uma aproximação com as metáforas de sua própria juventude. Noites de seixos estrelados, gostos e cheiros lembranças dos tempos de criança, são expressos ao longo de onze livros lançados para o público mirim. "Se alguma lágrima rola de vez em quando, faz parte do jogo", salienta ao indicar a emoção como fator essencial na sua criação.
Após grande sucesso com um trabalho de resgate histórico junto à RBS TV para as séries "Rio Grande do Sul, Um Século de História" e Os Farrapos", Urbim volta às prateleiras coloridas com duas obras inéditas, além da re-edição dos livros "Dinossauro Birutices", de 1986, e "Bolacha Maria", de 1995.
"Album de Figurinhas" reúne micro-contos de uma infância nos anos 50 que, como em outras obras do autor, são relatos de sua própria. Organizado como os albuns que eram levados aqui e acolá num troca-troca na expectativa de completar cada espaço vazio, o livro também trás histórias das infâncias de Luis Fernando Veríssimo, Luiz Antônio de Assis Brasil e do escultor João Bez Batti.
Na sequência do "Album (...)", o autor contrapõe gerações ao constatar que as figurinhas de hoje são autocolantes. "Goma Arábica" procura a mesma linha de relatos dos tempos de criança que o anterior, além de trazer ilustrações da artista plástica Maria Tomaselli.
Ambos os livros devem ser lançados na Feira do Livro deste ano, que acontece durante o mês de outubro em Porto Alegre.
